Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Lisboa Reflex

Lisboa em imagens e palavras, entre outras obsessões

Lisboa em imagens e palavras, entre outras obsessões

Lisboa Reflex

22
Jun18

As Gruas de Lisboa

As gruas de Lisboa

 Um dos preços a pagar pelo aumento da actividade económica e da ebulição imobiliária que caracteriza Lisboa nos últimos tempos é o exarcebado atropelo à paisagem urbana, seja qual for o ponto de vista, pela proliferação de gruas que parecem transformar a cidade numa espécie de berçário para coisas feias, potencialmente inestéticas, feitas de metal.

Esta foto, tirada no passado fim de semana, ensinou-me duas coisas:

- Para mim, as gruas estão a ficar naturalmente aceites na paisagem lisboeta, pois nem reparei nestas enquanto fotografava, o que também pode significar que o meu olho fotográfico ainda precisa de muito treino

- É possível - embora seja discutível o interesse - fazer uma integração o mais fotogénica possível das gruas na paisagem urbana de Lisboa. Pelo menos, julgando pelo perfilar acidental capturado nesta imagem.

Entretanto, de forma a dar um ar muito mais criativo à imagem destas estruturas metálicas, a CML poderia muito bem criar um incentivo para iluminar  as gruas com leds durante a noite, criando assim mais um apelativo evento de interesse turístico. Já que não se pode fotografar a Torre Eiffel quando está iluminada, fotografavam-se as gruas de Lisboa. Era espectacular chegar ao miradouro da Graça e ver dezenas de estruturas em L invertido, todas iluminadas - acesas talvez seja mais correcto - criativamente, desde as Amoreiras até ao Terreiro do Paço, a fazerem concorrência ao próprio Cristo Rei. Fica a ideia...

Nota: Comecei por escrever este texto numa perspectiva irónica, mas depois fiquei a pensar...

21
Jun18

Imperfeições

Ainda bem que és imperfeita…

As nossas imperfeições completam-se,
Transformando-nos
Em muito mais do que somos,
Em muito mais do outro…

Prefiro assim,
Imperfeito,
A um perfeito incompleto.

20
Jun18

Saudade é Doer-nos o Tempo

Foi preciso chegar muito perto dos 50 anos para ele saber o que realmente significava saudade. Até a ver partir, ou melhor, até a ver de soslaio a entrar naquele maldito corredor que a levaria à porta de embarque, ele não fazia a mínima ideia, embora pensasse o contrário, do que era sentir saudade; nó na garganta, chorar sem emitir o mais breve som, doer a cabeça, temer em angústia que nunca mais a visse ou, quiçá, simplesmente não conseguir sobreviver a muito mais tempo sem a ver. Saudade, ficou ele a saber, é doer-nos o tempo porque ele se abranda até ao momento do reencontro.

Até lá, ele conta apenas com as ruas de Lisboa para lhe darem sentido à deriva que se instala.

19
Jun18

Cabelo Branco, Rosa Sujo

Rosa Sujo

 Depois do rubro das luzes que ficaram na noite, surge uma realidade em que a ressaca se estende pelo chão, em forma de nada, ocultando no sujo pegajoso os ecos dos risos e o último refrão de uma canção alternativa, como alternativo é o tempo que separa o brilho do cheiro a ontem.

As ilusões ficaram lá longe. Resta o cabelo branco para saudar o rosa sujo.

19
Jun18

As Sardas do Seu Rosto Pareceram Cintilar *

Este período do café na esplanada e dos passeios à noite pelo bairro durou uns três ou quatro meses. Numa certa noite, regressávamos nós a casa, quando, de repente, começou a chover intensamente. Encontrando-nos ainda ao cimo da rua onde Maria morava, corremos para nos abrigarmos no acesso à Vila Berta, uma espécie de túnel por baixo de um prédio que dava acesso a um dos locais mais pitorescos do bairro. E foi ali que nos beijámos pela primeira vez, misturando a água fria da chuva que nos escorria pelo rosto com a saliva quente que ansiava pelo outro. Não sei se foi devido a algum reflexo no rosto molhado de Maria, mas até as sardas do seu rosto pareceram cintilar. Ficámos ali, beijando-nos sem parar, como se nos quiséssemos vingar das hesitações anteriores. Não tenho a certeza se nos parámos de beijar quando parou de chover ou se foi ao contrário. Acompanhei Maria até à entrada do prédio onde morava e, ao despedirmo-nos, ela sorriu e disse-me:

- Nunca mais nos vamos beijar pela primeira vez. Mas também não viveremos mais nenhum dia sem recordarmos esse momento. Prometo!

Sem me dizer mais nada, sorriu, fez-me uma festa no cabelo, virou-me as costas e subiu.

 

* Excerto de livro embrionário

18
Jun18

Miradouro do Monte Agudo

Miradouro do Monte Agudo

 Existe um prazer quase religioso quando se obtém uma boa fotografia nos locais que nos são mais queridos e que mais significado têm na nossa vida. O Miradouro do Monte Agudo, na Penha de França, é um local pouco conhecido para a maioria dos lisboetas, mas para quem aqui cresceu e viveu a maior parte da vida, é um ponto de visita habitual, nem que seja apenas pela vista, uma das melhores de Lisboa.

Esta foto reflecte muito do que eu sinto naquele local: calma, harmonia, cumplicidade e paz, tudo misturado com uma sensação de passado e futuro, perdendo-se ambos no olhar do espaço à nossa frente.

Sobre o autor

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.