Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Lisboa Reflex

Lisboa em imagens e palavras, entre outras obsessões

Lisboa em imagens e palavras, entre outras obsessões

Lisboa Reflex

10
Jun18

A convicção e o dogma

Quem ainda tem certezas sobre o que quer que seja, corre o risco de se transformar, sem dar por isso, em alguém iludido. Isso não significa que não possamos – e devamos, até – ter e defender as nossas convicções, baseadas naquilo que a vida, a experiência e a cultura social e científica nos transmitem. No entanto, na época de extremismos em que vivemos, é frequente muitas dessas convicções ganharem raízes demasiado inflexíveis.

A facilidade com que uma convicção se transforma em dogma é inversamente proporcional à qualidade dos argumentos que a sustentam.

09
Jun18

Solidariedade quê?

Hoje ouvi uma expressão que me deixa sempre com suores frios: solidariedade cristã! Pergunto-me sempre o que é que o “cristã” acrescenta à “solidariedade”. O que é que pode haver no exercício do cristianismo que possa valorizar ou caracterizar a solidariedade? Como é que se distingue uma solidariedade cristã de uma solidariedade monárquica, comunista, científica, amarela, enviesada, mal disposta, boquiaberta, quadrúpede ou dançarina? Não se distingue, porque solidariedade é apenas – e tanto – solidariedade. Mais, o verdadeiro acto solidário não faz questão de ser reconhecido, prefere e opta pelo anonimato.

A colagem de outros termos ao conceito de solidariedade é a primeira prova de que os actos solidários nem sempre são naturalmente altruístas, começando logo pela utilização de propaganda na descrição utilizada, o que não valoriza em nada o acto solidário em si, mas serve-se deste para promover outros ideais.

09
Jun18

Aquela noite em Lisboa

Era mais uma noite. Ele sabia, com aquela certeza enfadonha da rotina de tantos anos, que seria apenas mais uma noite. Iria cruzar-se com as mesmas pessoas com que se cruzava há anos, ouvir as mesmas vozes a prestarem-se aos mesmos lamentos de sempre e, na melhor das hipóteses,  vozes diferentes contariam histórias iguais a tantas outras, adulterando-lhes os nomes ou as vítimas.

Contudo, desta vez a rotina iria traí-lo e deixá-lo mais perto de outros hábitos, de outras certezas, de outras noites… Sentiria de novo alguns dos cheiros e das ânsias que o tempo se tinha encarregado de varrer para aquele sítio incerto dentro de nós onde guardamos, com um cuidado assustador, todas as experiências que não temos coragem ou frontalidade de assumir como nossas e como fazedoras de nós. Seria assim aquela noite em Lisboa.

09
Jun18

Nunca neva em Lisboa

Nunca neva em Lisboa.

Podem, que eu já vi, as nuvens ameaçar, mas nevar, não neva. Faz frio, cai granizo, assobia o vento, ronca o céu e encharcam-se as ruas, mas de neve, nada. No entanto, esta cidade é branca. Branca como a virgem, sempre por descobrir, mas, contradição, sempre se mostrando, frágil e desejosa, contudo, esquiva.

Aprende-se a gostar dela, lentamente, enquanto ela se desvenda, aos poucos, sem pressas.

É como as pessoas, trata bem quem a estima, ignora, simplesmente, quem a desdenha.

Lisboa é branca também pelas suas igrejas, pedaços de história, pelos seus passeios e chafarizes e, claro, pela sua alma. Esta cidade tem alma e tem vida porque tem sentimento quem lá vive. As pessoas de Lisboa são, sobretudo, pessoas da sua cidade. Sim, as pessoas são da cidade. A cidade não é de ninguém. Ninguém pode ter Lisboa… a não ser no coração.

Pág. 4/4

Sobre o autor

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.