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Lisboa Reflex

Lisboa em imagens e palavras, entre outras obsessões

Lisboa em imagens e palavras, entre outras obsessões

Lisboa Reflex

13
Jun18

Fotografia - Editar ou não editar

Embora seja boa prática tentar obter o melhor resultado possível no acto de fotografar, muitas vezes tal não é viável devido a constrangimentos técnicos - lente fixa inadequada, impossibilidade física de bom posicionamento, má qualidade da luz, entre outros - ou apenas por más opções ou outros constragimentos na hora do disparo. É nestes casos que a edição tem uma palavra a dizer. Eu edito sempre as minhas fotografias, até porque fotografo em formato RAW e este formato não tem como objectivo oferecer uma boa fotografia de raiz, uma vez que a principal função do formato RAW é precisamente recolher o maior número de informação em bruto para poder, á posteriori, ser trabalhada.

Este tipo de edição implica o balanço de cores e luminosidade, correcção de distorção e aberrações cromáticas das lentes e, muitas vezes, o reenquadramento (cropping) e nivelamento da linha do horizonte, sempre que se justifique.

Para exemplificar, junto duas versões da mesma foto: a primeira, o original em bruto convertido do RAW, sem qualquer edição. A segunda, uma versão editada e convertida em preto e branco da mesma fotografia. Embora este seja um caso extremo, serve de exemplo para o que é possível e recomendável fazer sempre que esteja em causa a melhoria de qualquer captura de imagem.

Foto original, sem edição e conforme captada em RAW

Foto original, sem edição e conforme captada em RAW 

 

A mesma foto após edição

A mesma foto após edição

 

12
Jun18

Tempo Extra na Estação do Oriente

Quando se tem que "matar tempo" à espera que uma loja abra, nada melhor que ir tirando umas fotos. Foi o que aconteceu recentemente enquanto aguardava pelo início da actividade comercial na Gare do Oriente.

Quem conhece o local sabe que o interior da gare é bastante escuro, pelo que optei por fotografar com ISO automático e com prioridade à abertura. Embora neste tipo de fotos pense sempre no resultado final a preto e branco, desta vez também gostei do resultado a cores em alguns dos casos.

Gare do oriente

 

Gare do Oriente

 

Gare do Oriente

 

Gare do Oriente

 

Gare do Oriente

 

Gare do oriente

 

 

12
Jun18

O limite é a falta de luz

Vulto a sair do Metro

 

Como em todas as artes, também na fotografia existem aqueles que consideram fotografia tudo o que acontece dentro de uns determinados limites estéticos, enquanto que outros consideram que tudo é plausível de se considerar arte desde que o autor o tenha produzido enquanto tal, como forma de uma interpretação ou exposição estética, independentemente do seu grau de inteligibilidade para quem observa a obra.

Por mim, em relação à fotografia, considero que desde que haja luz suficiente para captar uma imagem, temos arte. Contudo, admito que nem todas as opções estéticas daí vindas possam ser interessantes e reconheço a subjectividade do que é ou não é considerado interessante, consoante o observador, o estado de espírito ou a época. É essa maravilhosa subjectividade que nos permite encontrar o belo em tantas formas diferentes de expressão. E, depois, sempre existirão erros felizes que, mais a uns que a outros, mais nuns que noutros, se transformam ora em belo, ora em estranhos monstros. E a única luz de Lisboa faz parte deste todo subjectivo, tornando-o ainda mais irresistivel.

11
Jun18

Fotografia a preto e branco numa Lisboa a cores

Travessa do Rosário de Santa Clara

 

Considero que é através do preto e branco que melhor se relata o essencial do mundo. Para (quase) tudo o que realmente importa, o que merece ser retido ou as memórias que ficam, a cor é dispensável na medida em que distrai e contribui com pouco para a essência de um acto, um momento ou uma memória. Claro que há um sentido estético e de belo derivado e até mesmo inerente à cor, mas raramente esses atributos são importantes para o tipo de fotografia que gosto de fazer, exceptuando a fotografia cinematográfica

É também na fotografia a preto e branco que a componente essencial deste processo - a luz - melhor pode ser trabalhada, contribuindo para um resultado final que pode ser mais dramático, suave, contrastante, luminoso ou emotivo consoante a utilização que se faça da luz e das sombras. Para além disso, ao descartar a cor, eleva-se a composição a um patamar muito mais decisivo na construção de uma boa foto.

Finalmente, há uma sensação de intemporalidade por não sofrer das tendências de cor de cada época, impostas pela tecnologia utilizada ou simplesmente pela moda.

09
Jun18

Nunca neva em Lisboa

Nunca neva em Lisboa.

Podem, que eu já vi, as nuvens ameaçar, mas nevar, não neva. Faz frio, cai granizo, assobia o vento, ronca o céu e encharcam-se as ruas, mas de neve, nada. No entanto, esta cidade é branca. Branca como a virgem, sempre por descobrir, mas, contradição, sempre se mostrando, frágil e desejosa, contudo, esquiva.

Aprende-se a gostar dela, lentamente, enquanto ela se desvenda, aos poucos, sem pressas.

É como as pessoas, trata bem quem a estima, ignora, simplesmente, quem a desdenha.

Lisboa é branca também pelas suas igrejas, pedaços de história, pelos seus passeios e chafarizes e, claro, pela sua alma. Esta cidade tem alma e tem vida porque tem sentimento quem lá vive. As pessoas de Lisboa são, sobretudo, pessoas da sua cidade. Sim, as pessoas são da cidade. A cidade não é de ninguém. Ninguém pode ter Lisboa… a não ser no coração.