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Lisboa Reflex

Lisboa em imagens e palavras, entre outras obsessões

Lisboa em imagens e palavras, entre outras obsessões

Lisboa Reflex

26
Jun18

O Outro Tejo

O Outro Tejo

 Subindo o rio, há outro Tejo que se reinventa, longe das grandes pontes e dos grandes barcos. Parece um outro mundo que ainda hesita em se trasformar em mar, mas que será incapaz de resistir ao designio de nos levar ao mundo, de nos dar ao mundo. Pelo caminho, empresta a Lisboa toda a sua magia e dá de beber às margens da história e à criatividade dos escritores.

26
Jun18

Um Bosque na Cidade

Um bosque na cidade

 

Quando se pensa em cidade, pensa-se em edifícios, trânsito, comércio, serviços e gente, muita gente. Contudo, existem pequenos recantos que teimam em contrariar esta generalização e, infelizmente, apenas pecam por serem escassos.

 

Hoje quero falar-vos do maravilhoso Parque José Gomes Ferreira, também conhecido por Mata de Alvalade. Fica ali entre a Avenida Almirante Gago Coutinho e a Avenida do Brasil, junto à Rotunda do Relógio mas, depois de nos deixarmos mergulhar na sua beleza natural, parece que estamos a quilómetros de distância da azáfama de Lisboa. É como se fosse um bosque dentro da cidade, com seus caminhos entre as árvores cobertos pelas folhas caídas e os seus recantos com tapetes de verde.

 

Ao caminharmos pelo parque, esperamos que a qualquer momento nos surja detrás de uma árvore uma personagem de um conto de Grimm. Afinal, que mais se pode esperar encontrar num bosque dentro de uma cidade encantada?

25
Jun18

Turistas e Feijoada

Carris Carreira 28

 

Eu gosto de turistas da mesma forma que gosto de feijoada. E gosto mesmo muito de feijoada. Contudo, o importante não é o quanto eu gosto deste típico prato mas sim quanto é que eu consigo comer sem que cause danos de maior ao meu aparelho digestivo e à qualidade de vida de quem me rodeia.

 

As mesmas cautelas se devem ter com os turistas. Embora considere maravilhoso ver a minha cidade a pulsar de energia e juventude, perceba a importância do turismo para a economia local e nacional e adore a forma como sabemos receber pessoas das mais diversificadas origens e culturas, considero extremamente arriscado pensar a cidade como um resort turístico ou um paquete de luxo. No dia em que os lisboetas – que sempre cá viveram - não forem a principal prioridade nas decisões e estratégias da cidade, já perdemos o bom senso e é como se estivéssemos a comer feijoada quatro vezes ao dia durante a época balnear.

 

Repare-se, por exemplo, numa das maiores atracções turísticas de Lisboa, o eléctrico 28. Esta carreira é um importante meio de transporte para uma considerável população de alguns dos bairros mais antigos da cidade e que são também locais de residência de uma população idosa e, nalguns casos, economicamente desfavorecida. O 28 cruza os bairros da Graça, São Vicente e Alfama, descendo depois à baixa, segmento de trajecto em que não existem reais alternativas de transporte público. Durante os meses de Verão, a fila no início da carreira, no Martim Moniz, atinge as largas dezenas de metros, sendo caracterizada principalmente por turistas que irão percorrer a maior parte do percurso da carreira, impedindo ou dificultando o acesso da população local àquele indispensável meio de transporte. Não existem alternativas para as populações, embora existam alternativas para os turistas – Hills Tram Car -, alternativa que arrisco considerar pouco eficiente devido à diferença de preços para a carreira normal (9 euros por adulto), demonstrando uma visão do turismo fundamentada nos anos 70 ou 80, altura em que os turistas que visitavam Lisboa tinham, grosso modo, bastante poder de compra e quando as viagens de avião estavam apenas ao alcance de alguns. Hoje em dia o paradigma é outro, os turistas que nos chegam são pessoas comuns que tentarão poupar sempre que poderem.

 

Continuem a servir-me feijoada. Eu gosto. Mas com moderação. Não quero viver em função do meu aparelho digestivo.

22
Jun18

As Gruas de Lisboa

As gruas de Lisboa

 Um dos preços a pagar pelo aumento da actividade económica e da ebulição imobiliária que caracteriza Lisboa nos últimos tempos é o exarcebado atropelo à paisagem urbana, seja qual for o ponto de vista, pela proliferação de gruas que parecem transformar a cidade numa espécie de berçário para coisas feias, potencialmente inestéticas, feitas de metal.

Esta foto, tirada no passado fim de semana, ensinou-me duas coisas:

- Para mim, as gruas estão a ficar naturalmente aceites na paisagem lisboeta, pois nem reparei nestas enquanto fotografava, o que também pode significar que o meu olho fotográfico ainda precisa de muito treino

- É possível - embora seja discutível o interesse - fazer uma integração o mais fotogénica possível das gruas na paisagem urbana de Lisboa. Pelo menos, julgando pelo perfilar acidental capturado nesta imagem.

Entretanto, de forma a dar um ar muito mais criativo à imagem destas estruturas metálicas, a CML poderia muito bem criar um incentivo para iluminar  as gruas com leds durante a noite, criando assim mais um apelativo evento de interesse turístico. Já que não se pode fotografar a Torre Eiffel quando está iluminada, fotografavam-se as gruas de Lisboa. Era espectacular chegar ao miradouro da Graça e ver dezenas de estruturas em L invertido, todas iluminadas - acesas talvez seja mais correcto - criativamente, desde as Amoreiras até ao Terreiro do Paço, a fazerem concorrência ao próprio Cristo Rei. Fica a ideia...

Nota: Comecei por escrever este texto numa perspectiva irónica, mas depois fiquei a pensar...

20
Jun18

Saudade é Doer-nos o Tempo

Foi preciso chegar muito perto dos 50 anos para ele saber o que realmente significava saudade. Até a ver partir, ou melhor, até a ver de soslaio a entrar naquele maldito corredor que a levaria à porta de embarque, ele não fazia a mínima ideia, embora pensasse o contrário, do que era sentir saudade; nó na garganta, chorar sem emitir o mais breve som, doer a cabeça, temer em angústia que nunca mais a visse ou, quiçá, simplesmente não conseguir sobreviver a muito mais tempo sem a ver. Saudade, ficou ele a saber, é doer-nos o tempo porque ele se abranda até ao momento do reencontro.

Até lá, ele conta apenas com as ruas de Lisboa para lhe darem sentido à deriva que se instala.

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