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Lisboa Reflex

Lisboa em imagens e palavras, entre outras obsessões

Lisboa em imagens e palavras, entre outras obsessões

Lisboa Reflex

26
Jun18

O Outro Tejo

O Outro Tejo

 Subindo o rio, há outro Tejo que se reinventa, longe das grandes pontes e dos grandes barcos. Parece um outro mundo que ainda hesita em se trasformar em mar, mas que será incapaz de resistir ao designio de nos levar ao mundo, de nos dar ao mundo. Pelo caminho, empresta a Lisboa toda a sua magia e dá de beber às margens da história e à criatividade dos escritores.

25
Jun18

Turistas e Feijoada

Carris Carreira 28

 

Eu gosto de turistas da mesma forma que gosto de feijoada. E gosto mesmo muito de feijoada. Contudo, o importante não é o quanto eu gosto deste típico prato mas sim quanto é que eu consigo comer sem que cause danos de maior ao meu aparelho digestivo e à qualidade de vida de quem me rodeia.

 

As mesmas cautelas se devem ter com os turistas. Embora considere maravilhoso ver a minha cidade a pulsar de energia e juventude, perceba a importância do turismo para a economia local e nacional e adore a forma como sabemos receber pessoas das mais diversificadas origens e culturas, considero extremamente arriscado pensar a cidade como um resort turístico ou um paquete de luxo. No dia em que os lisboetas – que sempre cá viveram - não forem a principal prioridade nas decisões e estratégias da cidade, já perdemos o bom senso e é como se estivéssemos a comer feijoada quatro vezes ao dia durante a época balnear.

 

Repare-se, por exemplo, numa das maiores atracções turísticas de Lisboa, o eléctrico 28. Esta carreira é um importante meio de transporte para uma considerável população de alguns dos bairros mais antigos da cidade e que são também locais de residência de uma população idosa e, nalguns casos, economicamente desfavorecida. O 28 cruza os bairros da Graça, São Vicente e Alfama, descendo depois à baixa, segmento de trajecto em que não existem reais alternativas de transporte público. Durante os meses de Verão, a fila no início da carreira, no Martim Moniz, atinge as largas dezenas de metros, sendo caracterizada principalmente por turistas que irão percorrer a maior parte do percurso da carreira, impedindo ou dificultando o acesso da população local àquele indispensável meio de transporte. Não existem alternativas para as populações, embora existam alternativas para os turistas – Hills Tram Car -, alternativa que arrisco considerar pouco eficiente devido à diferença de preços para a carreira normal (9 euros por adulto), demonstrando uma visão do turismo fundamentada nos anos 70 ou 80, altura em que os turistas que visitavam Lisboa tinham, grosso modo, bastante poder de compra e quando as viagens de avião estavam apenas ao alcance de alguns. Hoje em dia o paradigma é outro, os turistas que nos chegam são pessoas comuns que tentarão poupar sempre que poderem.

 

Continuem a servir-me feijoada. Eu gosto. Mas com moderação. Não quero viver em função do meu aparelho digestivo.

13
Jun18

Fotografia - Editar ou não editar

Embora seja boa prática tentar obter o melhor resultado possível no acto de fotografar, muitas vezes tal não é viável devido a constrangimentos técnicos - lente fixa inadequada, impossibilidade física de bom posicionamento, má qualidade da luz, entre outros - ou apenas por más opções ou outros constragimentos na hora do disparo. É nestes casos que a edição tem uma palavra a dizer. Eu edito sempre as minhas fotografias, até porque fotografo em formato RAW e este formato não tem como objectivo oferecer uma boa fotografia de raiz, uma vez que a principal função do formato RAW é precisamente recolher o maior número de informação em bruto para poder, á posteriori, ser trabalhada.

Este tipo de edição implica o balanço de cores e luminosidade, correcção de distorção e aberrações cromáticas das lentes e, muitas vezes, o reenquadramento (cropping) e nivelamento da linha do horizonte, sempre que se justifique.

Para exemplificar, junto duas versões da mesma foto: a primeira, o original em bruto convertido do RAW, sem qualquer edição. A segunda, uma versão editada e convertida em preto e branco da mesma fotografia. Embora este seja um caso extremo, serve de exemplo para o que é possível e recomendável fazer sempre que esteja em causa a melhoria de qualquer captura de imagem.

Foto original, sem edição e conforme captada em RAW

Foto original, sem edição e conforme captada em RAW 

 

A mesma foto após edição

A mesma foto após edição

 

12
Jun18

Tempo Extra na Estação do Oriente

Quando se tem que "matar tempo" à espera que uma loja abra, nada melhor que ir tirando umas fotos. Foi o que aconteceu recentemente enquanto aguardava pelo início da actividade comercial na Gare do Oriente.

Quem conhece o local sabe que o interior da gare é bastante escuro, pelo que optei por fotografar com ISO automático e com prioridade à abertura. Embora neste tipo de fotos pense sempre no resultado final a preto e branco, desta vez também gostei do resultado a cores em alguns dos casos.

Gare do oriente

 

Gare do Oriente

 

Gare do Oriente

 

Gare do Oriente

 

Gare do Oriente

 

Gare do oriente

 

 

12
Jun18

O limite é a falta de luz

Vulto a sair do Metro

 

Como em todas as artes, também na fotografia existem aqueles que consideram fotografia tudo o que acontece dentro de uns determinados limites estéticos, enquanto que outros consideram que tudo é plausível de se considerar arte desde que o autor o tenha produzido enquanto tal, como forma de uma interpretação ou exposição estética, independentemente do seu grau de inteligibilidade para quem observa a obra.

Por mim, em relação à fotografia, considero que desde que haja luz suficiente para captar uma imagem, temos arte. Contudo, admito que nem todas as opções estéticas daí vindas possam ser interessantes e reconheço a subjectividade do que é ou não é considerado interessante, consoante o observador, o estado de espírito ou a época. É essa maravilhosa subjectividade que nos permite encontrar o belo em tantas formas diferentes de expressão. E, depois, sempre existirão erros felizes que, mais a uns que a outros, mais nuns que noutros, se transformam ora em belo, ora em estranhos monstros. E a única luz de Lisboa faz parte deste todo subjectivo, tornando-o ainda mais irresistivel.

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